terça-feira, 4 de maio de 2010

A Canção Do Senhor da Guerra - Legião Urbana

Compositor: Renato Russo

Existe alguém esperando por você
Que vai comprar a sua juventude
E convencê-lo a vencer

Mais uma guerra sem razão
Já são tantas as crianças com armas na mão
Mas explicam novamente que a guerra gera empregos
Aumenta a produção

Uma guerra sempre avança a tecnologia
Mesmo sendo guerra santa
Quente, morna ou fria
Pra que exportar comida?
Se as armas dão mais lucros na exportação

Existe alguém que está contando com você
Pra lutar em seu lugar já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer

E quando longe de casa
Ferido e com frio o inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando novos jogos de guerra
Que belíssimas cenas de destruição

Não teremos mais problemas
Com a superpopulação
Veja que uniforme lindo fizemos pra você
E lembre-se sempre que Deus está
Do lado de quem vai vencer

O senhor da guerra
Não gosta de crianças
O senhor da guerra
Não gosta de crianças
O senhor da guerra
Não gosta de crianças
O senhor da guerra
Não gosta de crianças
O senhor da guerra
Não gosta de crianças
O senhor da guerra
Não gosta de crianças

Uma obra brilhante de Renato Russo que, como sempre, nos põe a pensar de maneira diferente sobre coisas simples da vida. Algo que ele faz tão majestosamente que nem ao menos percebemos. O homem que criticou a sociedade brasileira da forma mais bela e rítmica que já vimos. Este foi Renato Russo.

Logo de cara, Renato fala sobre o famoso "alistamento" o dia que todo o jovem brasileiro teme. Esse é quando devemos nos apresentar ao nosso exército e muitas vezes, somos obrigados a ir para este. Eles tentam nos comprar com um salário medíocre, em troca de exercícios físicos e uma alimentação não muito boa. Tudo isso para "ganhar a guerra" uma guerra que talvez nem exista.

A segunda estrofe já chega bombardeando essa história de guerra. Dizendo que não existe razão, dizendo que estes ainda jovens - meninos de 18 anos - tem que portar armas e bater continência. Tudo isso devido a homens que só visam lucro e mais lucro. As fábrica - de armas - ficam a toda, dinheiro vem mais que oxigênio.

Na terceira, vem a dita tecnologia, que como todos sabem realmente se aprimora. Mas vale a pena uma guerra, só por isso? Ele faz questão de citar que a igreja também faz parte disso, mesmo sendo como dito uma guerra "quente, morna ou fria" pois até a ultima não é nada agradável.A comida que nem é tão importante sendo trocada por armas que geram mais lucro, novamente pesando sobre os "bisnessman".

Agora temos uma estrofe curta, mas talvez a grande verdade da musica. Renato joga na cara de todos que nossos belos soldados, são apenas homens jogados em campo de batalha, para substituir a possível morte dos "peixes grandes". Ele praticamente diz "Vá lá morrer por homens que você nem conhece e muito menos se importa". Simples, rápido e verdadeiro.

Na quinta ele continua o raciocínio anterior e ainda mostra que enquanto você esta longe de casa, sofrendo. Os homens que te mandaram pra morte, estão em casa, pensando nas próximas guerras e quanto ganharão em cima disso. Eles apenas assistem as "belíssimas cenas de destruição" e praticamente sentem um orgasmo, com o dinheiro chegando.

A ironia presente neste tira de nós uma pequena risada, apesar do assunto sério. Resolveremos nossos problemas de superpopulação com esta simples guerra. Teremos uniformes tão lindos, dará gosto de usar. E é claro, só existe uma preocupação que é se Deus esta do seu lado ou não. Caso ele esteja, sorte a sua, pois você vai sair vivo de lá.

Chegando ao fim, Renato afirma e reafirma que "O senhor da guerra não gosta de crianças". Talvez a grande parte poética da musica, onde você pode pensar em várias coisas, mas a primeira que vem em mente é que ele (senhor da guerra) não gosta delas (crianças) pois são inúteis nos seu esporte predileto.

Renato Russo expressa toda sua aversão a guerras nessa musica e muito mais que isso, ele mostra vários problemas que deixamos passar e que estas apenas acontecem pois existem homens querendo nada mais que dinheiro ou poder. Que toda guerra é sem graça e sem sentimento, mas nunca viveremos sem ela. Pois sempre existirão os velhos inventando jogos de guerra.

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